terça-feira, 3 de novembro de 2009

Pelo mundo afora

Semana extremamente conturbada de sonho e pesadelo, de Inferno e enlevo, do que é bom, do que é ruim e do que não sei dizer. De batalhas esperadas e inesperadas, vitórias surpreendentes e derrotas merecidas. De erros, acertos, indecisões. De certeza. A única. E eu vivo sempre o dia de você.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Na tua garoa

Eu iludo todo mundo | Mas não mudo | No fundo sou sempre o mesmo | Frio | Sombrio | Mesquinho, vazio e Sol. || Mentira, já mudei tanto | Mentira da mentira | De pouco pranto de tanto em tanto | Já sou outro | Mas que ainda não serve | Ainda não é senhor | Ainda não é ninguém. || Só menos um na multidão | Alguém sem sono na escuridão| Nunca serei o bastante | Estarei sempre distante.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Pai de toda a dor

Ah, se eu soubesse lhe dizer o que fazer pra todo mundo ficar junto!... Mas ninguém nunca esteve. Como já escrevi num conto, “o mundo é vazio, ninguém é feliz. Até as estrelas, solitárias, afastam-se umas das outras”. Talvez seja exagero estilístico trazido pela memória recente de uma tarde recém-aziaga. Ah, não importa, a gente sempre exagera umas coisas e dá menos importância a outras. Elas que se ajustem, caso eu não consiga. Também preciso sobreviver. Talvez todo mundo já estivesse junto há muito tempo, e eu que separei o pessoal. Melhor eu me retirar. Conheço o meu lugar.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

E seus apocalipses mais totais

[ "Man hands on misery to man. It deepens like a coastal shelf. Get out as early as you can, and don't have any kids yourself." ]

Não adianta mudar: para os outros, você sempre parecerá o mesmo. Não adianta se esforçar: para os outros, você sempre parecerá um fracasso. Não adianta. E é tão mais fácil fingir. Guardar as dores na gaveta e seguir vestindo um sorriso qualquer. A solidão é sólida e brilha muito mais que o sol.

[ "Todo dia a todo momento serão derrotados, desacreditados, cuspidos – e no entanto sempre sobreviverão." ]

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A áspera luz laranja contra a luz quase não púrpura

Lembro-me sempre d’A Construção, do Kafka, quando a marmota protagonista sai do buraco para admirar a maravilha da própria construção, as entradas perfeitas, até que, escondida no arbusto, tem um átimo de pânico, houvesse algum predador a espreitá-la, que pudesse atacá-la ou invadir seu palácio subterrâneo, e então ela se atira aos espinhos para se punir pela imprudência? Pois é. Não deve haver maior sentimento de culpa do que a constatação das próprias fraquezas. Mas quem sabe não seja isso o ponto de partida para se permitir ser ajudado, para realmente mudar. Erguer um castelo ainda maior, e sob a luz do sol. Sem o temor de uma invasão, tem se importar com o que pensam os predadores. Que o maior castelo esteja em quem construiu.

domingo, 4 de outubro de 2009

É mesmo

Eu disse que tudo ia acabar bem? Então, era mentira.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tem de se cuidar

Resolvi escrever agora por questão de sobrevivência. Reconheço que tenho sido ingrato e venho recorrer à palavra em hora decisiva. Peço desculpas e espero que a linguagem me aceite e me salve uma vez mais em seus braços. Em turvos e convulsos universos, nos momentos de aflição e palidez, nas tormentas de vazio e indecisão, é sempre no mais profundo da escrita que atiro minhas preces ancoradas. Na solidez do invisível, na solidão que não se vê, peço proteção sob seu manto, suas asas, sua majestade. Páginas e páginas, lágrimas e lágrimas, nada disso transcende estas linhas entre o que há e o que não será mais de mim. Cabeça baixa para observar o Céu. Os pés descalços no puro Inferno. Assim tem sido, assim será. Eis-me aqui, e venha seja lá o que for.