Sexta-feira, 17 de Julho de 2009
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Rio infinito no leito de um rio
[Ao som de Abazagorath, Sacraments Of The Final Atrocity.]
Cof cof cof. A tosse martela com as vozes na cabeça. Tem um pulmão que não funciona mais, e nem é o meu. Que frio, que frio. Não, não tem médico hoje, ela tá de férias. Odeio que me chacoalhem. Já imagino o saco de ossos tremendo sob os sinos da agonia, ante os círios imperfeitos do suicídio cheio de glórias imundas envoltas num sudário rasgado, quarado no sol que maltrata aquele vale esquecido. Mas são só palavras, e nada valem diante dos atos que as pessoas cometem mal diuturnamente.
Cof cof cof. A tosse martela com as vozes na cabeça. Tem um pulmão que não funciona mais, e nem é o meu. Que frio, que frio. Não, não tem médico hoje, ela tá de férias. Odeio que me chacoalhem. Já imagino o saco de ossos tremendo sob os sinos da agonia, ante os círios imperfeitos do suicídio cheio de glórias imundas envoltas num sudário rasgado, quarado no sol que maltrata aquele vale esquecido. Mas são só palavras, e nada valem diante dos atos que as pessoas cometem mal diuturnamente.
Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Espirituais
Pensando, na vereda vastíssima da existência cheia de angústias que conduzem sempre ao mesmo lugar arruinado e de desolação, em como fazer tudo diferentemente.
Domingo, 12 de Julho de 2009
Você não entende nada e eu não vou te fazer entender.
Você, inominável, é a misérrima pessoa que nunca existiu na minha eternidade de momentos fugidios, é aquela da identidade quebradiça perdida, outrora subcelebridade que se tornou melancolicamente anônima, sem jamais ter havido em parte alguma. Não existência: chora falsamente até borrar a maquiagem, até ficar com dó de si, enrolada nas cobertas e com a cara enfiada no travesseiro. Vasculha gavetas de roupas sujas, telefona às três da madrugada, cobra atenção como quem cede um favor. Morde a língua como quem sente no gosto de sangue um átimo de penitência, faz juras falsas como um sonho sufocado em noite baça. E desperta em outros braços e abraços se exibindo na janela que dá para a vila velha das memórias mais inúteis. Nas volutas que os semideuses sopraram em pedra envelhecida, nos balaustres das divindades mortiças, nas lâmpadas incandescentes de luzes dolorosas, cães e gatos sem raça definida ainda fazem algazarra. Pra ninguém. Aos abutres as memórias que nunca houve. Mentir é um vício imprevisto e perverso, e tuas lágrimas são sujas e vêm de olhos falsos, dissimulados, chovem de nuvens ácidas. Na imensidão do deserto que sempre irá seguir teus passos, o esquecimento será teu quinhão mais que merecido.
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Aflição
Noite bem ou mal dormida, não importa: o despertar é sempre pesaroso. O corpo pesa tantos mundos, preso entre os universos que decompõe a desistência de mim mesmo. É inútil tudo: rastejo dois metros pra frente, deslizo cinco metros pra trás. E volto ao mesmo lugar de outrora, porém ainda mais hostil e desolado. Sim, sou igual a todo mundo, me pareço nas piores coisas. Não me importo. Quem se importaria? E que os escravos sirvam... pra alguma coisa.
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
(Don't) help me
Isto me cansa, me cansa em demasia: já passou o tempo de chorar, de se entristecer. Esse desespero já saiu de moda. Em dois mil e três. Tempo que, para mim, sequer houve na verdade. Verdade das verdades, tudo é vaidade. Sigo repetindo o ano na vida que jamais quis levar. O horror, o horror das praças, das preces, da pressa de jamais partir. Da véspera do dia anterior tão mal vivido e vívido. Agora vamos morrer tudo, tudo outra vez.
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